martes, 20 de octubre de 2009

Diferentes, porém iguais

Depois de uma semana de espera e, confesso, um certo stress, hoje finalmente saciei minha curiosidade e assisti Distrito 9. Apesar de ter lido algumas críticas sobre o filme, entrei na sala de cinema esperando ver algo que se aproximasse de uma obra clássica de ficção científica, repleta de efeitos especiais, com muitos raios, explosões e um quê de fim de mundo, propiciado por nossos "amigos" vindo do espaço, mas qual não foi minha surpresa ao perceber que a temática do filme não é exatamente essa, e sim a intolerância?

Sim, por mais incrível que possa parecer, principalmente vindo de um filme de ficção científica, o mote de Distrito 9 é a intolerância dos humanos em relação aos aliens, e a "adaptação" destes ao nosso cotidiano.

Narrado em estilo documental, o filme mescla ficção e "realidade" por meio do destino de um personagem humano que se envolve diretamente com nossos visitantes do espaço. Entretanto, não foi o estilo adotado pelos produtores que me cativou, e sim o filme em si. A dura realidade dos aliens, a forma como foram tratados desde sua chegada, alienados do contato humano e, principalmente, uma fala de um habitante local me fizeram refletir sobre como tratamos nossos semelhantes. Afinal, se fomos capazes de séculos de segregação racial apenas por diferenças de pigmentação da pele, somos plenamente capazes de uma segregação com base na diferença de DNA.

miércoles, 23 de septiembre de 2009

In english, please?


Aprender um segundo idioma nunca é fácil, independente da idade que você tenha. Mas se você declara aos quatro ventos que não suporta o que se propõe a aprender, as coisas se tornam muito mais difíceis. É como se seu cérebro criasse uma espécie de bloqueio, e mesmo ouvindo a mesma palavra mil vezes, mil vezes você a pronunciará de forma incorreta. Foi o que ouvi hoje.

Depois de anos adiando, finalmente comecei um curso de inglês. Tardiamente ou não, cá estou eu, remoendo cada detalhe da primeira, de fato, aula, ao mesmo tempo em que me lembro do sacrifício demonstrado pela garota sentada à minha frente em pronunciar corretamente a palavra "cheese".

"Cheese", "drink", "milk".. nada do que a professora dissesse ela conseguia repetir. Intencionalmente ou não, cada palavra era lida da forma como estava escrita. Dói nos ouvidos, mas depois de quinze minutos não se percebe mais. Como se o cérebro anulasse os erros e fizesse com que os ouvidos escutassem apenas aquilo que ele quer, ou julga certo, ouvir.

"I drink water". Repeat, please. Mas sem sotaque.

viernes, 28 de agosto de 2009

Precisar, nem sempre precisa


- Bom dia. Eu preciso de um táxi.
- Qual o destino?
- Lapa. Cadeirante.

20 minutos de espera...

- Bom dia senhor. Desculpe pelo atraso, não estava encontrando a rua. Vamos prá Lapa? Qual o endereço?
- Guaicurus. Você vai pela Praça Panamericana, etc, etc, segue em frente e chega rápido.
- Tudo bem.

Dentro do carro...

- Qual o caminho que vocês fizeram da última vez?
- Fomos pela Eliseu de Almeida.
- Ahh.. É que eu moro perto da Raposo, meu caminho prá Lapa é diferente, mas vamos por esse que você conhece.

Meia hora de viagem...

- A famosa Eliseu. Você quer fazer o caminho que se lembra ou prefere o meu?
- Ah, vamos pelo seu mesmo. Não me lembro do caminho todo.
- Tudo bem.

Uma hora, e muitas curvas depois...

- Qual a rua?
- Guaicurus.
- Vou ligar o pequenino aqui.
- Rua Guaicuri, certo?
- Não, Guaicurus.
- Ahh, Guaicuri. Hum, achou.

Após 200m, vire a rotunda

Após 300m, entre à direita

Após 100m, contorne a rotunda

- Cidade Universitária?
- Essa mulher está me ensinando tudo errado. Espera aí moça, vou perguntar aqui.

.....

- Pronto, terei de voltar à Marginal

Após 300m, vire à esquerda

.....

- Sua rua é aqui. E tudo isso por um nome. Esse negócio de GPS é complicado. Uma letrinha que você digite errado e ele te manda para o outro lado da cidade.
- É mesmo.

Duas horas depois, fim da viagem.

miércoles, 29 de julio de 2009

Na calçada

Em uma típica tarde de inverno ele estava ali, sentado naquela calçada. Vestia jeans, um moletom colorido e trazia em sua cabeça um gorro preto. Calçava um par de tênis, simples, e carregava consigo dois grandes sacos transparentes, onde guardava tudo o que restava de sua história - roupas coloridas.

Enquanto a chuva fina caia, aquele homem contava sua história a um passante. Morava na região da Faria Lima, mas um desentendimento com sua esposa o fez abandonar o lar. Chegara ali há poucos minutos, vindo da praça que fica há poucos metros do local onde agora estava sentado - saiu de lá porque o lugar não era muito seguro. Palavra de dois policiais que faziam a ronda quando o viram chegar.

Como alternativa, indicaram-lhe a igreja, que naquele horário tinha as portas fechadas. A próxima missa ocorreria apenas às sete horas - eram quase cinco e meia da tarde. Sem alternativa resolveu esperar. E ali ficou, até seguir seu caminho, meia hora depois.

sábado, 9 de mayo de 2009

Você me traiu?

Todas as tardes venho cultivando um hábito que poucos tem coragem de admitir: acompanhar programas que se propõem a discutir as agruras da vida em família, e a cada programa que vejo a mesma pergunta ecoa na minha cabeça: o que leva alguém a, em rede nacional, revelar um "segredo", questionar a paternidade/maternidade de seus filhos ou expor uma traição? E mais, o que leva esse mesmo alguém a submeter-se a um "teste" para ter sua sinceridade atestada por uma máquina*?

Há muito tempo acompanho esse tipo de entretenimento, e desde o princípio tive a sensação de que muitos casos são forjados. Tive e ainda tenho. Apesar de mais "realistas", certas situações beiram o cômico. O que é trágico.

Nessas atrações, apresentadores ocupam a função de conselheiros, e cada um de nós, telespectadores, assume o papel da (o) "vizinha (o) mexeriqueira (o)" que acompanha, de olhos e ouvidos bem apurados, o desenrolar da briga na residência ao lado. Seria isso o fim dos "segredos da alcova" ou apenas uma necessidade de tornamos públicos dramas privados. Problemas toda família tem, mas nem todas acham válido expor seus dramas em cadeia.

*A máquina a que me refiro no post é o famoso "polígrafo", um detector de mentiras que registra qualquer variação fisiológica apresentada durante as respostas a um questionário elaborado pelo entrevistador e atribui, a essas variações, a veracidade ou não do que é questionado a quem se submete a ela.

viernes, 8 de mayo de 2009

O dia em que o tempo parou

Ela chegou aqui de repente. Pequenina e assustada, vi apenas um brilho preto reluzir debaixo do carro na garagem, também preto. Latidos enfurecidos tomavam conta do ambiente, e nos olhos daquele pequeno cãozinho tudo o que se via era medo. Medo da morte certa, mas também havia em seu olhar um alívio inexplicável por ouvir minha voz, lhe perguntando de onde havia surgido.

Guiada por um instinto feminino inexplicável de proteger os pequenos, a coloquei no colo e, acalmando-a, pude sentir seus batimentos cardíacos voltarem ao normal. Agora aquele filhote, antes indefeso, encontrava abrigo. E eu encontrava um problema. Sem ter a quem recorrer para acolhê-la, transformei meu quarto em berçário. Pretendia ficar com ela apenas enquanto achava alguém que pudesse adotá-la, afastando-a da ameaça que a espreitava todos os dias.

Passou-se o final de semana, o início da semana seguinte, seu meio e seu fim. Mais um domingo chegou, e com ele a certeza de que a pequena hóspede ficaria de vez. Iniciam-se os preparativos para seu novo lar, o quintal, mais apropriado para um filhote. E o que era para ser temporário está se tornando definitivo: ganhei uma cachorrinha.

jueves, 12 de marzo de 2009

De volta à cadeira da escola


Sentados nas confortáveis cadeiras de uma sala de reuniões, uma família aguarda o início da primeira consulta médica daquela manhã. Pai, mãe e filha alternam-se nos bocejos, enquanto a jovem enfermeira prepara a sala para o encontro.

Lousa preparada, caneta em mãos, ela confere a lista de presença. Um dos pacientes não virá. A "aula" então, começa.

- "De onde viemos todos nós"? é a primeira pergunta.
- De células.
- Mas quais células?
- Células-ovo.
- Isso mesmo. Mas, para as células-ovo surgirem, o que foi preciso? O que foi preciso para que ela [a filha do casal] fosse gerada?

Um silêncio constrangedor invade aquela sala. Os pais se entreolham envergonhados, enquanto a garota vê em sua mente ecoar apenas uma palavra: SEXO. A "professora", percebendo a situação criada, retoma o controle da situação e prossegue em sua aula.

Zigotos, organelas citoplasmáticas, membrana plasmática.. todas essas palavrinhas estranhas, e que já fizeram parte da vida daquela jovem voltam à sua mente. Ela lembra-se de quase tudo: a estrutura celular, a célula que construiu com gelatina, macarrão e outros ingredientes para a feira de ciências... Só não consegue lembrar-se da função de cada organela citada.

Divisões celulares, tipos de células, funções, regeneração. Tudo isto é exposto de forma superficial, porém suficiente para provocar uma viagem ao túnel do tempo. Por falar em viagem, a próxima será rumo a um seminário sobre Sistema Nervoso. O tema da próxima "aula"? Células nervosas.

miércoles, 11 de febrero de 2009

Caminhando


Seis da manhã. Depois de três meses cá estou, ouvindo o canto dos pássaros e vendo, com eles, o nascer do sol. O céu, nublado e ainda com resquícios da noite, me convida a voltar para a cama e concluir meu sonho - um sonho confuso, surreal e intenso. Um sonho inacabado, como todos. Quem sabe esta noite consiga concluir o diálogo de onde parei e retomar as emoções perdidas? Possível ou não, isto é assunto para uma outra noite, já que um longo dia se inicia. Ou, uma longa manhã.

Sete horas. Na porta do centro de reabilitação, um vai e vem de carros e cadeiras de rodas afastam o sono, enquanto a sala ao lado desperta minha curiosidade: colchões, grandes bolas coloridas, esteiras. Mas não há ninguém ali. Por enquanto, todos aqueles equipamentos estão vazios. Tão vazios como as cadeiras de rodas, cuidadosamente dispostas em fila abaixo da rampa que leva ao segundo andar, meu destino.

Ali, no segundo andar, muitas histórias, fisionomias e idades se misturam. Homens, mulheres, adolescentes, crianças. Cadeirantes, acompanhantes, usuários de próteses, médicos e enfermeiras, todos pareciam se conhecer ali. Beijos, abraços calorosos, sorrisos, um animado "Bom dia" vindo de cada paciente que chega àquela sala de espera torna aquele lugar diferente, quase como uma sala de estar repleta de amigos. Deficiências, sequelas de acidentes ou doenças não tiram seu bom humor. Nem mesmo a fome, que agora, às dez da manhã, aparece forte, ou o sono, que vence alguns ali sentados muda a aula daquele lugar, que se torna ainda mais acochegante com os raios de sol que entram pelas grandes janelas da escada à minha frente.

Dez e meia. Com duas horas de atraso entramos, minha mãe e eu, em uma sala pequena, de paredes cor-de-rosa e cortinas brancas. Ali não há espaço para longas conversas com o médico. Apenas uma maca. Uma maca, um notebook, um equipamento capaz de produzir pequenos choques elétricos e agulhas. Muitas agulhas. Perto delas, duas caixas de luvas, uma de tamanho médio, outra de tamanho grande. Dois médicos trabalham ali, mas naquele dia e horário apenas um atendia. Auxiliada por uma enfermeira, coloco minha mãe na maca - ainda não adquiri a destreza necessária para carregar pessoas adultas como se carrega um bichinho de pelúcia ou, como diz meu pai, não tenho "jeito" para isso. Talvez ele esteja certo...

Agulhas [você está em uma furada] e choques elétricos [seu dia será chocante] fazem parte do procedimento que estou acompanhando, que em nada se assemelha a um teste ergométrico [creio que o atendente se enganou quanto aos papéis que entregou.] Contrações espontâneas de seus músculos são medidas e anotadas em uma prancheta, de onde sairá seu tratamento.

Onze e dez. Despedidas, votos de boa sorte e bom trabalho marcam o fim da consulta. Com algumas dores e, talvez, alguma corrente elétrica "estranha" ainda em seu corpo, minha mãe e eu nos dirigimos à mesma rampa que nos trouxe até aqui. Próxima à rampa, a sala de fisioterapia agora está cheia. Pessoas de várias idades, sexos e histórias buscam, naquelas esteiras, bolas e colchões deixar para trás ou minimizar as dificuldades de locomoção com as quais convivem. As cadeiras de rodas, antes vazias, agora também estão cheias, ocupadas por pessoas tão distintas quanto às que ocupam a sala de fisioterapia. Peço o táxi que nos levará para casa, e enquanto esperamos, observamos o mesmo vai-e-vem de carros e cadeiras de rodas.

Entretanto ali, em meio a todas aqueles rostos, um nos chama a atenção: um garoto, de cerca de 13 anos, bermuda preta, camiseta branca e boné azul segue rumo à sala de fisioterapia. A seu lado, um médico observa cada passo. O garoto não possui as duas pernas e suas próteses, sem enxerto de pele, o tranformam em algo quase robótico. Mas, alheio à impressão que possa causar aos que o observam, segue com determinação àquela sala, dando passos vacilantes, mas um passo de cada vez. Como minha mãe que, aos 67 anos terá de reaprender a andar. Um passo de cada vez.

lunes, 14 de julio de 2008

Escritos no Viaduto*


O céu estava azul. Com algumas nuvens, porém azul. Um vento gelado, típico de outono – agora já quase inverno –, cortava o viaduto do Chá, deixando meu rosto tão gelado quanto meu estômago. Sentia frio e uma vontade imensa de desistir à medida que ia reconhecendo o cenário à minha frente. Ou, mais precisamente, seus cartomantes.


Movida por uma hesitação profunda, quem sabe mistura de curiosidade com vergonha, me dirigi até aquelas pessoas, decidida a consultar a minha sorte. A escolha, porém, não foi tão simples como pensava. Meu “candidato ideal” não estava entre aqueles cartomantes e, olhando aquelas mesas repletas de búzios, cartas, cristais e outros apetrechos desconhecidos, sentia-se insegura, crente de que estava cometendo um erro e que não deveria estar ali.


Propensa a desistir, porém movida por uma curiosidade que se assimilava às coceiras chatas que incomodam e não resistimos em coçar, pus-me a observar aqueles rostos com os quais cruzava todos os dias. Assim, observando e acatando a sugestão de uma amiga, escolhi aquele que revelaria minha sorte através das cartas de tarô.


Vestido com uma espécie de bata branca, um turbante e muitos colares de contas coloridas ao redor do pescoço, o cartomante atendia um homem quando nos aproximamos. Delicadamente, ele interrompeu o atendimento e perguntou o que desejávamos. “Quanto custa a consulta?”, indaguei. Sua resposta veio imediatamente: “Dez reais, minha linda”. Com um gesto de cabeça fechei o acordo e passei a aguardar que o homem ao meu lado terminasse de conhecer seu futuro. Com a espera, pusemo-nos, eu e minha amiga, a observar os passantes.


As crianças se encantavam com as contas, os cristais e os búzios. Paravam por alguns segundos diante dele, depois eram puxadas pela mão por seus pais, que certamente não queriam ver seus filhos entre os clientes daqueles cartomantes. Ou não queriam admitir que, assim como elas, estavam curiosos para observar a cena.


Senhoras idosas com passos vagarosos miravam o homem com desdém, recriminando-o por estar ali. Já outras mulheres, algumas jovens, outras maduras, e alguns homens observavam o cliente com curiosidade, de certo se questionando o que aquele homem buscava.


O cliente, porém, parecia não se preocupar com nossa presença ou com os olhares dos transeuntes. Continuava compenetrado, absorvendo cada palavra dita. Seus questionamentos não se baseavam tanto no dinheiro ou no emprego: estava ali por um amor perdido que ansiava por ver reencontrado. Se seguisse as dicas do cartomante, claro. Alguns minutos se passaram e, vários conselhos depois, o homem sacou da carteira vinte reais, recebeu seu troco e foi embora, satisfeito por encontrar as respostas que tanto buscava. Assim que o cliente se afastou chegou minha vez. Agora não podia fugir, nem me esconder...


“E então, minha linda, o que você prefere? Búzios ou cartas?. “Cartas”, foi minha resposta. Em minha imaginação, uma consulta com um cartomante teria de ter cartas, não búzios... “Corte três bolos de cartas para mim, por favor?”. Cortei, sem saber exatamente o que estava fazendo, e muito menos por quê. Com a primeira carta vem a “revelação”: sou “filha de Iemanjá”, insegura e chorona. Em minha mente uma pergunta ecoa: como ele sabe disso? Será que está estampada em meu rosto a minha insegurança?


Segunda carta... “Você está com alguém, não está?”. Pergunta difícil de ser respondida quando não se está fisicamente com alguém... já espiritualmente... “Mais ou menos”... Por que eles sempre insistem nisso? “Ele gosta muito de você. Você está confusa, dividida, mas vocês vão ficar juntos”. Será verdade? De quem será que ele está falando?


Terceira carta, e ainda falando de amor... Sempre o mesmo... “Você teve alguém antes desse com quem está agora?”. Para essa pergunta, confesso que também não tenho resposta. Apenas um gesto de cabeça, meio afirmativo, meio negativo, responde à indagação. “Ele te fez sofrer muito”. Genérico, todo mundo sofre por amor um dia... “Ele está com outra, sabia?”. Claro que sabia. “Mas ele ainda pensa muito em você”. Otário, está perdendo seu tempo.


Enfim sai o amor, entra a família, e também o trabalho: doenças na família, briga com irmãos, emprego novo, salário maior... Entre uma carta e outra soube um pouco mais sobre a rotina daquele trabalhador, dos clientes que atende – africanos e um coreano, mas nunca um japonês. Japoneses não acreditam em previsões? Soube também seu nome, só que era tão incomum que não consegui guardar.


Ouvi tudo aquilo que esperava. Porém, ouvi também o que não esperava. “Vejo uma criança a caminho. Cuidado, pois aqui está escrito que você ficará grávida em breve”. A 'notícia', dada com certa seriedade, faz com que demonstre minha surpresa. Grávida? Como assim grávida? A revelação, inesperada, faz minha cabeça girar feito um turbilhão, me fazendo pensar nos contratempos que teria de enfrentar com uma gravidez não planejada. Estaria provando do meu próprio veneno e acreditando em tudo o que acabara de ouvir?


Em um determinado momento paro de contar as cartas que parti e paro também de me preocupar com o tempo. Já não penso no trabalho, em meu horário de entrada, nas pessoas que passam por mim ou no meu ceticismo. Assim como o cliente anterior, sou absorvida pela magia do desconhecido. Conhecer meu futuro se torna embriagante.


Entretanto, entre uma carta e outra, volto momentaneamente à realidade, trazida talvez pela amiga que me acompanha. Nestes curtos períodos começo então a observar mais atentamente a mesa à minha frente: um brilho labial, um batom, um cristal cor-de-rosa... Tudo metodicamente organizado em cima de uma toalha de cetim azul, que o vento do outono insiste em levantar, revelando uma mesinha de madeira, também azul.


Observo a expressão do cartomante. Noto que ele não me olha nos olhos, talvez por não ter certeza de tudo o que me diz. E após cada carta jogada ele faz uma pequena pausa, de cerca de três, quatro segundos antes de me dizer o significado das figuras que vejo. Durante esta pausa ele olha para a frente e para o lado esquerdo, como que buscando na memória a melhor frase para o momento.


São dez para as três. A última carta – O Enforcado –, que o vento retirou do baralho e lançou ao chão, é posta na mesa. “Você passou por muitas dificuldades no ano passado, mas está superando todas. Vai realizar todos os seus sonhos, embora você sonhe demais”, é o último conselho que escuto. A consulta termina. Ponho a mão no bolso e tiro uma nota de vinte, recebo meu troco e vou embora, satisfeita por ter saciado minha curiosidade. E também por ter descoberto que, nas ruas do centro, a felicidade tem preço: dez reais – o preço de uma consulta com os cartomantes do Viaduto do Chá.


* Texto publicado originalmente em http://www.conjecturas.com.br/juizar/viaduto.htm

domingo, 13 de julio de 2008

Mundo de Oz


Para mim, o período de férias da faculdade significa, além de descanso e tranqüilidade, uma oportunidade de colocar a leitura e a "cultura televisiva" em dia. Sem horários fixos para dormir, torna-se mais fácil acompanhar seriados pela TV, seja ela fechada ou aberta.

Entretanto, acompanhar uma série de TV em canais abertos em si já renderia uma nova série. São tantas mudanças de horário, edição de episódios, reprises e adiamentos que poucos ainda possuem paciência - e coragem - para tal ato de heroísmo. Mas, há quase um mês, me converti em uma notívaga, aproveitando as madrugadas para recordar velhos episódios ou conhecer séries novas, que raramente passaram da primeira temporada.

E foi movida por este espírito "saudosista" que voltei a acompanhar o seriado"Oz". Retratando o dia-a-dia dos presos na prisão de segurança máxima Oswald, a série mostra, sem muitos pudores, a conduta de cada indivíduo ou grupo durante sua "estadia" na prisão. A cada semana são introduzidos novos personagens.

Meu primeiro contato com "Oz" foi aos dezesseis anos, após assistir uma chamada para o primeiro episódio da série. Na época, a classificação etária para a atração era de 18 anos - semelhante à atual - e meus pais, por motivos óbvios, não me permitiam assisti-la. Entretanto, esta proibição não foi obstáculo para que eu deixasse de acompanhar, a cada semana, as reviravoltas em Emerald City, uma espécie de cidade criada com o objetivo de ressocialização dos presos - e onde se passa boa parte da "ação".

Porém hoje, ao rever todos aqueles episódios pude perceber o quanto esta atração desperta em nós, telespectadores, um sentimento ambíguo de ódio e compaixão por aqueles detentos. Como um dos personagens mesmo relatou no episódio desta semana, "ninguém ali é santo". Ou seja, todos os personagens que estão ali foram presos porque cometeram atos de extrema crueldade com seus semelhantes.

No entanto, mesmo os tipos mais cruéis são capazes de despertar a simpatia dos telespectadores, inclusive a minha. Como qualquer fã, tenho meus personagens favoritos ali. Torço por eles. Não para que "sejam felizes", mas para que sobrevivam. Assim como acontece fora da ficção, onde presos tornam-se celebridades, e ocupam páginas e páginas de jornais.

sábado, 12 de julio de 2008

Chateando...

Quando comecei a navegar pelo universo da Internet, o que mais me fascinou foi a idéia de interagir com pessoas de várias partes do mundo com um só clique. A idéia de ter vários "amigos" sem ter de me expor tornou-me uma ávida freqüentadora de chats por muitos meses. Tempo suficiente para que eu descobrisse que tais amizades duravam menos tempo que minha empolgação em continuar vasculhando o ciberespaço em busca de pessoas interessantes.

Mas, como toda curiosa virtual que se preze, acabei novamente atraída para o mundo das "amizades virtuais" quando soube do lançamento de Second Life. A idéia não só de fazer amigos, como de explorar e construir um mundo completamente novo fascinou não só a mim, mas milhares de usuários, que gastaram tempo e, em alguns casos, dinheiro neste novo divertimento. E foi em busca deste "mundo novo" que comecei a "viver minha segunda vida".

Porém, como já relatei em uma postagem anterior neste blog, minha experiência com a "segunda vida" não foi tão boa como imaginei. A pouca interação do programa frustrou não só as minhas, mas as expectativas de muitos freqüentadores deste mundo virtual, o que tornou Second Life, talvez, uma das grandes bolhas da Internet.

Entretanto, esta semana fui surpreendida com a notícia de que o Google lançou seu "mundo virtual": Lively. Rodando no próprio browser do internauta, este programa leva vantagem sob um dos "calcanhares de aquiles" de Second Life: as exigências físicas do programa para rodar na máquina do internauta.

Porém, as vantagens do Lively terminam por aí, pelo menos a meu ver. Dividido em salas, o programa assemelha-se a uma sala de bate-papo em 3D, onde a interação dos usuários se dá via chats, que podem ser públicos ou particulares. A interação física acontece como em Second Life: por meio de comandos digitados pelo usuário. Porém, como no programa da Linden Lab é uma interação fria. Muito distante daquela prometida pelos desenvolvedores do programa, capaz de "revolucionar a Internet".

Desde que foi popularizada, muitas tecnologias foram desenvolvidas para aumentar a interação entre pessoas na Internet e tornar seu contato mais próximo do que acontece no "mundo real". Entretanto, a meu ver, essa interação está ainda muito distante do calor humano presente nas relações do dia-a-dia. Contudo, Lively, Second Life, ou qualquer outro programa que prometa integrar usuários do mundo inteiro são uma boa opção para a socialização. Desde que nunca substituam o contato "corpo a corpo" e que sejam usados com moderação.

martes, 8 de julio de 2008

Praia de paulista


Inverno. Manhãs frias, tardes amenas, noites geladas. Ar seco, poluído. Olhando o horizonte, além do céu azul, quem mora em São Paulo vê uma linha cinza no horizonte. Mas, observando atentamente, vemos muito mais do que isso...


Terça-feira, véspera de feriado. Sol brilhando, céu azul. Da janela do décimo quinto andar vejo o Viaduto do Chá, com seus cartomantes e artistas de rua, e o Vale do Anhangabaú, com suas palmeiras, fontes, esculturas..Um descanso para os olhos em meio ao concreto.

Entretanto, no Anhanbagaú a vida parece ter um ritmo diferente em comparação à "parte de cima" do Viaduto. Não há a correria típica de todas as tardes, não há carros, nem trânsito. Aqui as pessoas não correm, caminham tranqüilamente.

Como nos parques estendem toalhas embaixo das palmeiras do Vale e ali passam o dia, deitados ou fazendo um tranquilo piquenique, enquanto observam o vai-e-vem dos que trafegam pelo Viaduto do Chá.

Porém, os que fazem do Anhangabaú seu parque (ou sua "praia") não são moradores de rua. Da minha janela vejo desde trabalhadores comuns, tirando uma "sesta", até famílias. Famílias que, como a que vejo agora, se divertem no gramado.

O sol está se pondo, e com ele está indo embora o calor de uma tarde de inverno. Logo os "turistas do Anhangabaú" irão embora. Recolherão suas cestas, suas toalhas e partirão felizes, rumo à suas casas, mas ansiosos pelo retorno, que será breve.

jueves, 27 de marzo de 2008

Passa boi, passa boiada


Todos os dias, ao abrir o jornal ou me conectar à Internet vejo as mesmas notícias; todos os dias, ao fazer o percurso entre minha casa e a faculdade percebo que a cada dia essa viagem demora mais; a cada dia percebo que há mais carros nas ruas. Mais carros e pessoas nas ruas.

Todas as manhãs meu ônibus já parte de seu ponto final lotado: são crianças, idosos, mulheres, homens.. todos rumo ao mesmo destino - ou a caminhos paralelos. Porém, todos sentados. Apenas um ou outro está de pé.

A cada parada entram mais e mais pessoas. O veículo, de lotado, passa para apinhado. Cada centímetro do local é aproveitado. Pessoas que nunca se viram se tocam, involuntariamente. Ali, "espremida" como estas pessoas, e de rosto virado para a janela, divago..

Observando o dia-a-dia percebo que as pessoas são tratadas como os bois, que em outras épocas eram transportados em caminhões ou vagões de trem, espremidos uns contra os outros em pequenos espaços.

Ao chegar a seu destino, e diante de uma porta aberta, os bois saem todos juntos, ignorando tudo o que esteja à sua frente, motivados, quem sabe, pelo desejo de liberdade. Como as pessoas, em ônibus, trens e vagões do metrô em horários de pico.

Antes de chegar a meu destino volto à realidade. Ônibus lotado, trânsito, pouco espaço para se locomover. Situações constrangedoramente comuns no dia-a-dia do paulistano...

domingo, 23 de marzo de 2008

Loira ou morena?


É madrugada. As mensagens tornam-se mais raras e os usuarios mais escassos. A internet torna-se vazia, como as ruas da cidade nesta noite chuvosa.

Uma hora. Uma janela surge na tela. A conversa, indesejada, torna-se enfadonha. Et's, mp4...

Uma e meia. A mesma janela insiste em piscar. Relutante, abro a tela e leio a mensagem.

-E aí, o que faz?
- Escrevendo e conversando com uma amiga.


Segundos depois....

- Loira ou morena?
- Ela tem namorado

Fim de papo? Nada disso...

- Hoje não tem mais dessas coisas não, já não te disse?
- (....)
-
E então, loira ou morena?


Incrédula e, entre risos, respondo:

- Japonesa
- Sorte dela, pq não curto muito japonesas
.

Conversa de balada nos tempos da internet...

jueves, 24 de enero de 2008

Proibido??



Esta semana fui surpreendida com uma pergunta curiosa do meu irmão: "Você tem um blog? Cadê ele? Sabia que o governo proibiu todos os blogs que citem CS?" Intrigada, acessei a Internet em busca de maiores informações sobre o assunto, e uma busca de poucos segundos trouxe a resposta que buscava: não eram os sites sobre o assunto que possuíram seu acesso proibido, e sim o jogo. O que parecia improvável aconteceu: CS foi literalmente "banido" do Brasil.

Considerado por muitos especialistas um jogo extremamente violento, o game é sucesso absoluto em lan houses. Competições nacionais e internacionais aconteceu a toda hora, e os jargões utilizados pelos jogadores são repetidos a toda hora, dentro e fora das lan houses.

Como muita nunca fui muito adepta a esse tipo de jogo (prefiro opções mais "lights") nunca tive curiosidade de experimentá-lo. Mas, mesmo sem experimentar, conheço o ambiente do jogo, e não acho que sua proibição seja a saída para conter o desenvolvimento da agressividade em crianças e adolescentes.

Pelo contrário. Há títulos de conteúdo muito mais agressivo e que continuam à venda nas prateleiras de lojas especializadas, ao alcance de qualquer um. Basta procurar.

Concordo com os que dizem que a proibição vai aumentar a popularidade deste jogo no país, afinal já dizia o ditado: o que é proibido é mais gostoso.

sábado, 12 de enero de 2008

Contatos imediatos

A onda alienígena voltou. E com vídeos na internet.

No Youtube existem milhares deles, mostrando desde feixes de luzes a círculos alaranjados, que acompanham aviões, circundam prédios ou se escondem em montanhas.

Na TV, especialmente na TV a cabo, este fenômeno ocupa um espaço relativamente grande na grade de diversas emissoras, servindo de tema a séries e programas especialmente produzidos.

Ali, estudiosos da área da ufologia apresentam suas teses sobre as várias espécies de alienígenas existentes, as abduções e a influência que a "tecnologia alienígena" exerceria nos progressos tecnológicos da humanidade.

Algumas correntes de pensamento atribuem inclusive o avanço científico dos povos egípcios, maias e astecas como provenientes do espaço. Teorias improváveis, mas que são aceitas como verdades absolutas por alguns. Ou muitos.

Movidos pela curiosidade secular do homem em descobrir vida inteligente fora da Terra, diversas pessoas mergulham no universo da ufologia em busca de respostas a suas perguntas.

São essas "respostas" que, quando erroneamente interpretadas, alimentam mitos e diversas teorias da conspiração.A mais famosa, sem dúvida, é a que recobre o mistério da "área 51", cuja existência é constamente desmentida pelo governo americano.

Mas a imprensa não está livre destas teorias. Taxada constamente de manipuladora, a mídia ocupa um lugar importante em tais teorias. Há quem acredite que a existência de vida alienígena é comprovada cientificamente, mas a informação não é divulgada pela imprensa por ferir os interesses governamentais.

Sinopse hollywoodiana ou não, o fato é que o universo é imenso, e a ciência conhece apenas uma pequena parte de suas galáxias. A verdade está lá fora. Cabe ao homem descobrir a verdade. E à imprensa divulgar os fatos. Sem manipulação? Quem sabe...

Nação infiel??


Segundo a noticia publicada pelo site Terra, a torcida corintiana seria, dentre os grandes clubes paulistas, a que menos comparece aos estádios em dias de jogos de seu time.

Os dados divulgados pela pesquisa do Instituto DataFolha colocam por terra a tão propagada "fidelidade corintiana" e seu desejo de seguir o time, aonde este estiver. Os dados ali expostos também comprovam que o torcedor brasileiro ainda prefere o conforto de acompanhar um jogo de futebol pela TV à comparecer aos estádios, seja devido aos altos índices de violência nos estádios ou ao preço dos ingressos, ainda inacessíveis a boa parte dos torcedores.

Verdeiros ou não, estes dados deixam no ar uma pergunta: seriam vcs, corintianos, uma "nação de infiéis"? O espaço está aberto.

viernes, 11 de enero de 2008

Revolution

Em seu livro "Homo Ludens", Joan Huizinga diz que o jogo é, em transcrição literal, uma atividade sem qualquer interesse material, e que não visa o lucro. Infelizmente, não é bem assim...

Anualmente são investidos milhões em novos títulos e plataformas de games com o mesmo objetivo: conquistar um número cada vez maior de jogadores que, atraídos por consoles mais modernos ou games mais interativos lotam as lojas de departamentos (americanas e brasileiras) em busca das últimas novidades no mercado dos games.

Mesmo aqueles que "torcem o nariz" diante deste fenômeno, vez ou outra acabam cedendo aos encantos do "mundo mágico do videogame". Assim como eu, que não vejo a hora de experimentar Dance Dance Revolution na plataforma Wii..


jueves, 27 de diciembre de 2007

Status: Namorando


Na cozinha...

- Você tá namorando?
- Não
- Mentira! Eu vi no seu perfil. Tá escrito "namorando"
- Eu tirei.
- Terminou? Já deu o fora nele?
Silêncio. Um sorriso sem graça invade o rosto da jovem, que nada diz, apenas observa.

Segundos depois...

- Terminou mesmo? É isso aí, se encher o saco, termina.
- E como é o nome dele?
- Não tem ele
O irmão responde:
- É Marco.
Uma expressão de raiva e perplexidade invade o rosto da garota, que nada diz, e ainda observa.

Na sala...

- Mas e aí, o que ele faz?
Mais silêncio...
- Ele é da faculdade. Ela diz que vai ficar até tarde fazendo trabalho e que chega às cinco, mas chega às nove. Mentirosa... Uma expressão irônica surge no rosto do irmão
- Ah, esperta. Você tá certa, é isso aí! Repetem, em coro, os presentes ali.

Seus pais assistem a tudo calados. Tão calados quanto a jovem, desconcertada com este ato de incoveniência. E seu sorriso, um tanto sem graça, se transforma em uma discreta vontade de atirar o irmão pela janela, e socá-lo até esgotarem-se as forças de seus braços.

Mas ela nada faz e nada diz, apenas observa, afinal "quem cala consente", e em situações como estas é melhor consentir. Quando não se pode vencer o inimigo, o melhor a fazer é juntar-se a ele.

lunes, 17 de diciembre de 2007

Leilão


Primeiro dia de férias. Nada prá fazer, nada prá estudar. Um dia prá descansar.. e encarar uma entrevista de estágio...

Provas, apresentações, dinâmicas, redações, resumos... horas e horas confinados em um espaço amplo. O ar-condicionado, ao invés de refrescar, congela. A cabeça dói, a fome aperta, a ansiedade aumenta, e a concentração diminui.

Ao meu lado alguém rabisca incessantemente, mesmo nos momentos de descanso. São frases, nomes, formas geométricas, poemas... Olhares curiosos surgem a todo instante, intrigados com a escrita que nunca pára.

Cinco horas. Chega o momento da "apresentação". Uma lousa com perguntas é posta à nossa frente. Meu destino será definido em uma curta apresentação. Nesse instante, todos ali sacam suas melhores frases. Somente as melhores performances serão recompensadas com uma vaga. Apesar de colegas, neste momento todos tornam-se estranhos. Amigos, amigos, estágios à parte.

É observando esta cena, e aguardando minha vez neste "leilão", que me ponho a divagar, enquanto busco minha melhor frase. Ali, sentados em círculos, vestindo talvez nossa melhor roupa e mostrando no rosto nosso melhor sorriso somos como mercadorias, dispostas em fila. Apenas as melhores são compradas. Como nós, candidatos a estagiários.

Em uma dinâmica as crenças individuais desaparecem, os preconceitos coletivos são suprimidos. O que antes era visto como manipulador é definido como "top", "sonho de consumo".

É então que vêm à minha mente uma cruel ironia: durante três anos venho aprendendo que a notícia é uma mercadoria. Mas hoje percebi que não apenas a notícia, mas o estudante, assim como o profissional, também é uma mercadoria. E uma mercadoria barata, capaz de se sujeitar a todos os sacrifícios pelo tão concorrido estágio.

Como dizem, a vida é um jogo. E a corrida pelo estágio um leilão, em que vence não aquele que se vende pelo maior preço, mas que possui o maior número de "atributos". Estarei qualificada para o leilão?

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