jueves, 27 de enero de 2011

Gordinha sim. Infeliz, nunca mais


Desde criança luto com a balança. Nunca fui uma criança obesa, mas sempre fui o que todos chamam de "cheinha". Até os seis, sete anos, era uma maravilha ser assim, porque nos anos de 1980, quando nasci, ser gordinho era sinônimo de saúde. Uma criança magra logo era tida como alguém doente, ou maltratada pelos pais. Estar gordinho era estar na moda.

Mas aí, o tempo passou, e com ele chegou a adolescência, e o que antes era saúde passou a significar doença. E das mais contagiosas, porque de uma criança saudável passei a ser vista como uma adolescente com problemas alimentares, que comia prá esquecer as brigas em casa, para camuflar a timidez, prá disfarça a ansiedade. Tudo era motivo para um julgamento. Áspero.

De tanto ouvir que estava fora do peso, que essa ou aquela roupa não fioava bem em mim por causa do meu sobrepeso, me tornei uma adolescente insegura, que preferia se esconder em moletons folgados e camisetas enorms a mostrar o que tinha de bonito. Porém, a adolescente insegura cresceu, e se tornou uma adulta ainda mais insegura, que não se escondia mais em moletons e camisetas, mas que se depreciava de uma forma muito agressiva, se destruindo de dentro para fora.

Emagrecer se tornou minha obsessão, um objetivo que eu alcancei aos 19 anos, e que me custou muito caro - os quilos a mais levaram minha saúde com eles. Hoje, quase dez anos depois, eu ainda luto com a balança. Encarei muitos altos e baixos nesse tempo todo, fui consumida muitas vezes pela obsessão em ser magra, mas depois de tanta luta resolvi aceitar o que sou: uma mulher de curvas e com conteúdo. E ossos largos também.

3 Comments:

  1. Ericka =] said...
    Amiga, NUNCA achei vc gordinha!
    Nem sabia que vc tinha problemas reais com a balança desses cabeludos, de dietas, problemas de saúde e tudo o mais... É TRASH emagrecer e não conseguir quando se quer mto, mas pior ainda é viver em guerra consigo mesma, né?
    Vc é linda, por dentro e por fora! E ainda bem que decidiu parar de querer ser raquitica perna de avestruz por aí! HAUHAHUAHUAHA...

    Bjão!

    Blogue SEMPRE!
    Bianca said...
    Isso, para com essa mania horrível de se achar feia porque os outros têm um padrão distorcido da realidade. Se eles olhassem para eles mesmos, veriam que também não são nenhum modelo de beleza.
    Taffarel Brant said...
    Pra falar a verdade, também luto contra a balança.

    Enquanto criança, era magrinho, mas com a pré-adolescência eu engordei bastante. Foi um período complicado da vida em que sofri muito com julgamentos e solidão.

    Quando fiz 18 anos e entrei na faculdade, fui apontado. Motivo de chacota e piadas. Daí resolvi emagrecer e aquela frase onde você disse que seus "quilos a mais levaram sua saúde com eles" também aconteceu comigo. Engraçado isso.

    Eu me tornei mais fraco. Digo, com relação à saúde. Sempre gripado, com dores de cabeça, fraquezas, alergias que antes não me incomodavam.

    Enfim, hoje continuo no peso correto, mas me controlando. Não faria tudo da mesma forma se soubesse que ficaria tão fragilizado assim, mas não quero voltar atrás.

    Sinta-se bem. Sinta-se você mesma.
    Um abraço.

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